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sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mestre Gichin Funakoshi



Com certeza, mestre Gichin Funakoshi, foi um homem bem aventurado por ter sido o responsável ao levar o Karate de Okinawa ao Japão. Como se costuma dizer, Gichin Funakoshi estava no lugar e na hora certa, para dar impulso ao Karate de Okinawa, o qual teria uma projeção que não conheceria fronteiras. Ele foi o precusor para a chegada de outros mestres de Okinawa, como exemplo outro admirável mestre da escola Goju-Ryu, Chojun Miyagi. Mestre Funakoshi nasceu em Shuri, capital real de Okinawa, provavelmente em novembro de 1868. O ano oficialmente registrado de seu nascimento é 1870, mas em sua autobiografia mestre Funakoshi alegou que foi feita uma auteração posterior para permitir que ele participasse de um exame aos nascidos no ano de 1870. Mas segundo se sabe, parece que Gichin Funakoshi usou as duas datas de maneira indiscriminada, isto é, ele na verdade não sabia em que ano nascera. Quanto à sua família, pertencia à classe shizoku, a pequena nobreza., o nome da família era originalmente lido como Tominakoshi. Seu avô foi um renomado intelectual confuncionista que chegou a tutor da família real. Foi-lhe concedida uma generosa pensão quando se aposentou, mas seu devasso filho Gisu, pai de Funakoshi, dissipou a fortuna da família através do jogo e da forte bebida awamori. Prematuro de sete meses e sem esperança de viver muito além da infância, Funakoshi foi entregue aos seus velhos avós para ser criado. Mas surpreendeu a todos ao se transformar num menino normal e saudável, embora um pouco fraco. Desde cedo o avô lhe ensinou os clássicos chineses e o menino acabou provando ser também um estudante dedicado e talentoso. O mestre Funakoshi como sabemos é chamado de "o pai do Karate moderno", pois figura como um representante e um modelo desse estilo de Budo do que seu verdadeiro criador. Na verdade a vida e a história do mestre Gichin Funakoshi se confundi com o surgimento do Karate. No Japão ele trabalhou movido por uma energia vigorosa afim de desenvolver a arte de sua terra natal em terras nipônicas e torná-la reconhecida pelos japoneses. Embora tivesse estatura mediana ( 1,67m e 65 kg), mestre Funakoshi soube se impor com determinação, eficiência, força mental e coragem ilimitada, cujas qualidades aliava naturalmente à sua benevolência e boas maneiras emolduradas por sua gentileza em relação a todos. No que se refere a Gichin Funakoshi, os seus contemporâneos afirmavam que ele era" mais que humano", ou seja, um tatsujin ( indivíduo fora do comum ). A sua primeira aparição em Tóquio, foi perto do fim de 1921, quando o ministério da educação anunciou que seria realizada uma demonstração de artes marciais japonesas antigas na primavera seguinte na Escola Normal Superior para mulheres. Nessa ocasião mestre Funakoshi soube como conquistar o público japonês, não demonstrando somente o kata, mas demonstrando os fundamentos técnicos com base científica pela ação e explicações claras e lógicas, numa linguagem conveniente ao Japão ancioso por modernidade.



quarta-feira, 8 de abril de 2009

Mestre Oswaldo Duncan


O presente artigo que agora escrevo é uma homenagem ao mestre Oswaldo Duncan de Aguirre, não poderia deixar passar essa oportunidade, afinal de contas foi meu sensei na década de 80. Oswaldo Duncan Sensei lecionava naquela época na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, sendo responsável pela Cadeira de Karate do Instituto de Educação Física e Desportos, cuja Universidade se localiza na Rua São Francisco Xavier, 524 no Bairro Maracanã. Além da universidade também ministrava Karate na Associação Scholem Aleichem Cultura e Recreação (A.S.A), na Rua São Clemente, 155 no Bairro de Botafogo. Oswaldo Duncan Sensei foi um homem de temperamento dócil e energia serena, cujas características combinavam com a sua vocação pedagógica; pois me lembrava Gichin Funakoshi. Como sabemos Gichin Funakoshi também era professor e lecionava em escola na ilha de Okinawa. Gichin Funakoshi Sensei aliava sua técnica com sua formação pedagógica, motivo pelo qual seu Karate foi largamente aceito no Japão. O que sinto hoje será uma eterna gratidão ao Oswaldo Duncan Sensei, o qual através do Karate me conduziu por um caminho nobre e honrado. Porque através dos seus ensinamentos me guiou ao aperfeiçoamento do caráter e me ensinou também a importância de trabalhar o meu temperamento. Como ele costumava nos ensinar que nós deveríamos educar o nosso instinto agressivo, o qual está presente em todos nós quando nascemos, seja em grau maior ou menor variando de indivíduo para indivíduo. Porque devido à nossa natureza humana costumamos ter reações imprevisíveis que poderão se desencadear de acordo com as circunstância do dia-a-dia. Por tudo nesse mundo os homens entram em conflito e consequentemente acabam em confronto. E como ele sempre dizia:" a única coisa que estabelece uma dosagem na agressividade é a autoconfiança, o que falta na maioria dos homens". Com certeza isso é a mais pura verdade quando o homem permite ser escravo de seus instintos, de modo que às vezes acaba se comportando como um animal. No entanto, nem a ferocidade dos animais é descontrolada - como é observado pelos especialistas - pois os animais somente são ferozes quando precisam lutar ou buscar alimento, ou ainda defender o seu território. Mas quanto a nós como espécie humana precisamos educar a nossa natureza como seres racionais e pensantes que somos. E através de Oswaldo Duncan Sensei acabei amando o Karate como um modo de vida, cuja arte me deu inspiração para que eu acreditasse em mim mesmo. Em Karate me tornei um cavalheiro gentil e dócio, com o compromisso de ser para a sociedade uma pessoa melhor. Como Oswaldo Duncan Sensei dizia e como sempre gosto de dizer a todos quantos amo. "Vivenciar cada dia na certeza de que o mundo estará ao nosso lado enquanto nós pudermos oferecer o que há de melhor em nós como pessoa". O que sinto falta nos dias de hoje são mestres como Oswaldo Duncan Sensei e tantos outros que não se encontram mais entre nós. Infelizmente têm sido raro encontrar mestres como esses em nossos dias. Naquele tempo vi o Karate ser levado mais a sério por todos que treinavam, pois todos tinham bons mestres. Não quero dizer que hoje em dia não haja mais bons mestres, porque ainda existem os remanescentes os quais foram frutos desses bons mestres, é claro. Mas nos dias de hoje a muita promoção e eventos com o único propósito de estragar o Karate. São na verdade os descompromissados com a nobreza de ideais e valores, que deveriam ter a finalidade de formar o caráter de todo ser humano. Aqui eu deixo a minha homenagem ao mestre que me ensinou a amar e respeitar à vida e ao próximo. Oswaldo Duncan Sensei é para mim fonte de inspiração para prosseguir o caminho das mãos vazias guardando e observando o espírito do Karate. Também gostaria de agradecer a Ana Cristina de Aguirre, filha de Oswaldo Duncan Sensei , por ter cedido gentilmente uma fotografia de meu sensei para que eu pudesse escrever esse artigo. Como disse *Muniz Sodré, uma certa vez, Oswaldo Duncan é, além de tudo isso, um excelente amigo - desses que *cavalgam ventos e tempestades.

Por Rogério Santos Sensei 4º dan em Karate Shotokan

*Muniz Sodré, professor-adjunto da Universidade Federal Fluminense e professor assistente da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

*A expressão cavalgar ventos e tempestades - a qual se refere Muniz Sodré a Oswaldo Duncan - é uma aluzão à expressão que circulava na China tradicional. Porque assim eram conhecidos os bravos praticantes de artes marciais no passado.

terça-feira, 31 de março de 2009

Mestre Yoshihide Shinzato

Mestre Yoshihide Shinzato, 10º dan(graduação mais elevada dentro da modalidade), Nasceu a 15 de março em 1927 em Okinawa, ilhas Ryu Kyu do arquipélago japonês. Foi discípulo do mestre Anbun Tokuda, e com a morte deste, durante a Segunda Guerra Mundial, tornou-se aluno do mestre Choshin Chibana. Após o falecimento do primeiro mestre, continuou treinando, dessa vez com o mestre Miyahira. Treinou Kobu-Do com Shikan Akamine, Masahiro Nakamoto e Katsuyoshi Kanei, recebendo a categoria de Hanshi pelo mestre Katsuyoshi Kanei, em novembro de 1993. Também possui algum treinamento em Judo, com sensei Itokazu, realizado quando estava no colegial. Treinou ainda, já no Brasil, o estilo Goju-Ryu, com o mestre Shikan Akamine. A história desse imigrante pode ser confundida, em alguns aspectos, com a de muitos japoneses que vieram para o Brasil na década de 1950. Mestre Shinzato, porém, não veio para o Brasil com o propósito de melhorar a condição da vida familiar, pois sua vida no Japão era estável; já era casado, tinha dois filhos e foi funcionário público na província de Okinawa. A sua real intenção foi disseminar o Karate no país. Antes de partir para o Brasil, mestre Shinzato havia participado da Segunda Guerra Mundial, como rádio comunicador do Exército Japonês, em Tóquio. Devido a sua baixa estatura, o sensei não obteve autorização para combater no front, nem tampouco pilotar aviões, que era o seu grande sonho. Por já possuir parentes residindo em Praia Grande - SP, ao chegar ao Brasil, a 15 de novembro de 1954, Shinzato seguiu para esta cidade da Baixada Santista, e começou a trabalhar na lavoura de seus tios, no bairro Tude Bastos, além de trabalhar com o transporte de verduras e adubos. Paralelamente ministrava aula de Karate em sua casa, para jovens da colônia japonesa. A 25 de Janeiro de 1954, com seu irmão Yuzo, apresentou uma demonstração no Parque Ibirapuera, juntamente com os grupos de folclore de Okinawa, em comemoração do aniversário da cidade de São Paulo. A 3 de junho de 1962, fundou a acadêmia Santista de Karate-Do na Rua Brás Cubas, em Santos - SP, e em 1970 mudou o nome para Associação Okinawa Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil. Em 1976 criou a União Shorin-Ryu Karate-Do do Brasil, e em 1992 fundou a international Union Shorin-Ryu Karate-Do Federation. Seu método de aula baseia-se na filosofia do Budo, desenvolvimento esportivo e do convívio social, tendo como objetivo criar indivíduos úteis tanto para a sociedade quanto para a família, com o intuito de formar um karateka com o corpo forte e mente equilibrada. Sensei Shinzato possuía 200 escolas filiadas no Brasil e exterior. Aqui deixo a minha homenagem à memoria do honorável mestre Yoshihide Shinzato, cuja história de vida nos mostra o exemplo de um homem que amava o Karate-Do.

Esse artigo é uma homenagem à memoria do mestre Yoshihide Shinzato.